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uma torneira velha dourada


Entre 28 de março e 26 de abril de 2015 as tardes dos sábados e domingos no Sesc Belenzinho foram preenchidas por perguntas e inquietações. A oficina [e se a gente começasse com uma pergunta?], com Auana Diniz e Elisa Matos, sócias da Colchete Projetos Culturais, propôs a construção de mundos imaginários com narrativas visuais para crianças e seus familiares.

A oficina começa com a pergunta que a intitula. Elisa comenta com os participantes que a ideia é falar sobre a curiosidade. Auana na sequência diz que tem curiosidade sobre a matéria prima do vidro e questiona se alguém sabe. “De areia”, surge uma resposta. Auana faz outra pergunta, dessa vez sobre do que é feita a grade do teto. Ninguém fala nada. “Aqui é um espaço de perguntas. Quando a gente não sabe o que responder, podemos inventar as respostas”, diz.

Todo mundo está sentado, mas Elisa levanta. Vai até a mesa recheada de objetos organizados por cores. Canos, torneiras, óculos, colheres, isopor, esponja, tecidos, escovas. Uma lista de coisas de casa. Ela escolhe uma torneira velha dourada. Volta ao grupo e pergunta se alguém sabe do que se trata aquele objeto e para o que ele serve. “Para lavar a mão com água!” Surge uma resposta. Elisa instiga o grupo a descobrir o peso daquele objeto, outras coisas que ele poderia ser, com o que se parecia. Alguém responde que lembrava um apito. Elisa então pergunta: “quem poderia ouvir esse apito?” Izabelly Carvalho, de 11 anos, diz que poderia ser um apito para alienígenas. E a partir daí a história começa. “Era uma vez um apito dos alienígenas que veio para a Terra”.

Auana e Elisa convidam crianças e adultos a buscar um objeto na mesa e observar, novamente sentados, os detalhes, a cor, o peso, se esses objetos emitem som ou não e que personagens poderiam ser. A partir do apito para alienígenas todos traçam possibilidades do que havia acontecido com aquele objeto, com os seres extraterrestres, como eles teriam chegado até nosso planeta. Um óculos amarelo de plástico vira um multiplicador de pessoas e outro laranja um marciano. A esponja em formato de pato se transforma no pato alienígena que dirigia a nave, que por sua vez é uma bola de isopor. Um espelho vira a TV que noticia a falta de água. E assim a história é contada misturando elementos e personagens.

Eis que Auana apresenta um novo integrante ao grupo: Monsieur Perguntador! “Ele é um sábio que vivia no Sul da França fazendo perguntas” ela diz. Na cabeça do Monsieur há um chapéu de campainha que é tocada por Elisa. Ela diz que ele sussurrou uma pergunta em seu ouvido e quer saber como a história continua. A afinidade de Elisa e Auana é tão delicada e respeitosa que as duas conduzem a oficina de maneira fluida, com uma comunicação quase telepática. Ao olharem uma para a outra identificam qual o próximo passo ou o que fazer para estimular alguma determinada atividade, criança ou a própria condução geral da proposta.

Na sequência as crianças e pais são convidados a desenhar uma continuação para essa história no papel branco que cobre o chão. Cada um tem a missão de apresentar um destino diferente para seu personagem. Yasmin Carvalho, que começou a história transformando a torneira em apito alienígena, comentou que gostou muito da oficina e de perceber a criatividade de todo mundo, de crianças de várias idades, dos pais. Ela, que sonha em ser escritora, diz que pensa em histórias todo o tempo e por isso foi estimulante participar e criar possibilidades.

Eric Magalhães Leal, de 11 anos, e sua mãe adoraram participar das oficinas [espaço-papel-tesoura] e [e se a gente começasse com uma pergunta]. “Foi um domingo diferente”, afirmou Eric.

Foto: Sofia Colucci

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